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Conceito urbano: Xadalu, das ruas ao Museu

xadalu
Xadalu - Foto: Bruno Alencastro

Em breve, estará em exposição as obras do artista Xadalu, que representa o valor social da arte política das ruas.

Dione Martins, o Xadalu, começou seu envolvimento com a arte há dez anos atrás quando trabalhava como gari, e começou a perceber o ambiente urbano de forma diferente. Essa relação de observador com as ruas, representa muito a personalidade do artista que tem sua marca, o "indiozinho", espalhado por vários pontos da capital.

O início dessa história foi a oportunidade de trabalhar em uma loja de serigrafia, "aprendi um ofício que mudaria minha vida completamente". E desde lá, o que era trabalho virou estudo e dedicação pessoal; "o tempo foi passando e eu me lapidando em diversos cursos da área, como designer gráfico, publicidade e propaganda, colorometria, serigrafia, impressão digital, fotografia, litografia, desenho, história da arte, ..." Quem inseriu o trabalho de Dione à arte de rua foi um "grande amigo de infância", o grafiteiro e ilustrador Celo Pax. "Sou muito grato a ele", comenta ao falar sobre o início da carreira.

Mas quem é Xadalu? "o Xadalu é um persongem que surge como forma de repovoamento de uma cultura que foi destruída, é o despertar do índio que há dentro de cada um de nós". A abordagem social da condição indígena é marcante no trabalho do artista, "gosto de arte porque acredito que ela tem um potencial incrível para atingir todas as camadas da sociedade, e através dela informamos e conscientizamos as pessoas".

"às vezes passo horas olhando eles, e a população trata como se eles fossem seres invisíveis, simplesmente ignoram". Talvez esse sentimento de empatia tenha surgido das várias horas em que refletia, durante a experiência como gari, sobre o fluxo urbano que ignora a paisagem, os contrastes e as desigualdades das grandes metrópoles.

O trabalho do Xadalu hoje em dia está presente em mais de 60 países, atingindo os 4 continentes, "para mim isso é muito gratificante, ver o que você criou difundido em diversos tipos de culturas, participando de festivais de arte internacionais, tudo isso me deixa muito feliz, mas não tinha ideia de que tudo isso aconteceria um dia."

Sobre a migração da arte, das ruas para as galerias, ele afirma apoiar o trânsito entre conceitos e lugares, "gosto de um ditado muito usado na periferia "da favela pro asfalto é só um salto", acredito conseguir tornar isso muito harmonioso pois não modifico em nada do que faço na rua para o museu, nada mesmo, da mesma maneira que a obra se encontra na rua ela vai se encontrar no museu, essa originalidade mantém laços fortes com o público."

 

Conheça mais sobre o trabalho do artista.

facebook: http://goo.gl/5oUyYE

 

 

texto: Gabriela Wenzel

Museu dos Direitos Humanos do Mercosul