Seu navegador tentou rodar um script com erro ou não há suporte para script cliente.
Início do conteúdo
Você está aqui: Página inicial > Curadoria > Exposições > Arte + Arte Visões da Liberdade 2014
RSS
A A A

Arte + Arte Visões da Liberdade 2014

foto
Arte + Arte - Foto: Gabriela Wenzel

A Poética do Agora: Exercício de Liberdade

Por Ana Zavadil, Mestre em Arte Contemporânea pela UFSM e Curadora - chefe do Museu de Arte do Rio Grande do Sul

 

Nos anos de 1960 e no início dos anos 1970, em New York – o maior centro difusor de arte daqueles períodos –, bem como em outros lugares, surge um divisor de águas como oposição à arte moderna; e que ganha nomes distintos, aos quais já nos acostumamos e usamos para reconhecer aquele especial momento da história da arte: “O Fim da Arte”, “Pós-modernismo”, “Neovanguarda”, etc. O que cabe ressaltar é que este momento indica uma nova arte que se liberta de antigas amarras ou convenções às quais estava presa. Liberta-se definitivamente dos suportes tradicionais da pintura e da escultura, da produção realizada em ateliês e das exposições em “cubos brancos” . Nesse período, nascem outras categorias de arte como a performance, a instalação e a aproximação com as coisas do cotidiano.

Desde os referenciais de arte do século XX, mais precisamente com Marcel Duchamp (1887-1968), (...) “a arte relacionava-se mais com as intenções do artista do que com qualquer coisa que ele fizesse” (STANGOS, 1991, p.87). Com Duchamp surge uma nova dimensão artística, uma liberdade na definição do que vem a ser uma obra de arte. Duchamp, a partir dos ready-mades, inventa uma nova maneira de fazer arte ao apropriar-se de objetos industrializados e atribuir-lhes estatuto de arte, ao ressignificá-los em outros contextos. Ele traz para o debate uma nova visão sobre o fazer e a interdisciplinaridade na arte. No livro de Octavio Paz, ‘Marcel Duchamp ou o Castelo da Pureza’ , o autor levanta questões importantes ao dizer que Pablo Picasso (1881-1973) tornou o século XX visível e Duchamp mostrou que a arte começa e termina em uma zona invisível. Cabe ainda dizer que Picasso transformou tudo em arte e Duchamp fez com que tudo pudesse ser arte.

Os movimentos artísticos dos anos de 1960 e 1970 deixaram legados sem precedentes para as artes visuais, que foram desde a absorção e a transferência para a arte de conceitos, ações do cotidiano, cultura de massa, bem como o emprego de materiais inusitados na feitura de obras de arte. Podemos traduzir estes movimentos como Arte Conceitual, Pop Arte, Arte Povera, Body Arte, Minimalismo, Concretismo, Neoconcretismo no Brasil, etc. O período causou verdadeira revolução na arte, as rupturas foram das mais variadas ordens e ainda influenciam artistas que se apropriam de conceitos e imagens daquele profícuo tempo. Muitos foram os artistas que influenciaram as gerações de hoje, podemos citar, por A Poética do Agora: Exercício de Liberdade exemplo, Hélio Oiticica (1937-1980), cuja obra antecipa muito do que se faz hoje, pois ela se estendeu desde a pintura, passando por ações ambientais, criando novos conceitos e pensamentos que abarcaram o gesto e a participação do espectador, como fatores relevantes para a arte. A tensão entre o conceitual e o experimental tornou-se substância da arte, e a sua extensão na vida foi um dos principais recursos artísticos que se mantém em nossos dias. As idas e vindas dos artistas à arte do passado são constantes e, a cada vez que retornam, nutrem sua arte de características novas, trazendo outras dimensões e percepções.

Os anos 2000 trouxeram para a arte a imagem como potencial criativo e a velocidade da informação em um mundo globalizado trouxe novas maneiras de ver, sentir, pensar e fazer arte. As linguagens se transformaram criando novas possibilidades, a miscigenação e a hibridização tornaram-se frequentes e a arte digital passou a tomar conta das redes de informação. A fotografia e o vídeo tornam-se meios de expressão muito utilizados em nosso tempo. A transformação é rápida e intensa. Ainda temos o desenho, a cerâmica, a pintura, a gravura, a escultura, mas estas mais uma vez renovadas pelas influências do agora, em que a mistura de linguagens e a contaminação entre elas é a tônica. A arte não morreu e nunca vai morrer, ela apenas se transforma e se corporifica em novos desafios, construindo a poética do instante como um exercício experimental de liberdade. Liberdade essa que leva a caminhos nunca antes imaginados, que se integram no viver e no fazer. Por isso ‘Arte + Arte: Visões da Liberdade’ é uma exposição que tem em vista a liberdade absoluta de expressão, e a Chico Lisboa e o Museu dos Direitos Humanos do Mercosul apostam na arte de hoje com suas particularidades instigantes, mas acima de tudo como renovadora e questionadora do mundo em que vivemos

I - O’DOHERTY, Brian. No Interior do Cubo Branco- A Ideologia do Espaço da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

II- RAJCHMAN, John. “Pensando em Arte Contemporânea”, artigo originalmente apresentado na série de palestras realizada pelo Instituto Forart de Pesquisa em Arte Contemporânea Internacional (www.forart.no), em Oslo, Noruega, 2006.

III- STANGOS, Nikos. Conceitos da Arte Moderna. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.

IV- PAZ, Octavio. Marcel Duchamp ou o Castelo da Pureza. São Paulo: Perspectiva, 1997.

Obras de

Adriana Giora

Alexandra Eckert

 Ana Flores Ana Homrich

Ana Mähler

 Angela Zaffari

Antônio Augusto Bueno

 Bragança

Beatriz Dagnese

Bianca Santini

 Cinthia Sfoggia

Clara Figueira

Cláudia Menezes

Cristina Dall’Igna

 Daisy Viola Dânia Moreira

 Danny Bittencourt

 Darmeli Débora Piva

 Eneida Ströher

 Ena Lautert

Erminia Marasca Soccol

 Estelita Branco

 Esther Bianco

Fernanda Martins Costa

Graça Gomes

 Graça Marques Gustavo Rigon

 Humberto Dutra

 Imeritta Passos

Ismael Chaves

 Jandora Jakobson

 João Grando

Julia Streppel

 Juliano Aor

 Lia Braga

Lidiane Fernandes

 Lorena Steiner

 Luci Diefenbach

Luci Sgorla

 Luciana Mena Barreto

 Lucy Copstein

Mara Galvani

 Márcia Haesbaert

 Mariah de Olivieri

Marina Terra

Marisa Grahl

 Maristela Winck

Mauro Beck

 MPA Giacomini

 Muriel Paraboni

 Neca Sparta

 Raquel Lima

 Rafael Dambros Rejane Wagner

 Ricardo Giuliani

 Rodrigo Corrêa Rogerio Livi

 Sandra Fraga

 Selir Straliotto

Sérgio Bohrer

 Silvia Giordani

 Silvia Livi Simone Nassif

 Soraya Girotto

 Susie Prunes Suzel Neubarth

 Thiago Quadros

 Vera Reichert Verlu Macke

 Victor R. R. Mendes

 Waldemar Max Walter Karwatzki

 Wélligton

Museu dos Direitos Humanos do Mercosul