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Evento discute a memória das ditaduras no Mercosul

palestrantes debatem o tema da anistia
MDHM - Foto: Leandro Osório/Palácio Piratini

Nos dias 14 e 15 de novembro, ocorreu o Encontro Internacional Diálogos e Intervenções no Campo da Violência de Estados Ditatoriais, no 2º andar do Museu dos Direitos Humanos do Mercosul (Rua Sete de Setembro, 1020 – Centro Histórico, Praça da Alfândega). Os diálogos abordaram temas como anistia e violência, tanto na perspectiva histórica como social.

Na sexta-feira, dia 14, a programação iniciou às 17h com a presença de autoridades em atuação na área de direitos humanos, e encerrou às 20h30min com coquetel e lançamento do livro Clínicas do Testemunho: Reparação Psíquica e Construção de Memórias. Dando continuidade ao encontro, no sábado pela manhã, houve o debate “Testemunho da verdade, Testemunho da Justiça” com participação de psicanalistas, psicólogos e pesquisadores da temática de traumas causados pela violência do estado no contexto América Latina.

As ditaduras militares deixaram grandes marcas na história política e social da América Latina. Esse modelo autoritário de governo se insere no contexto mundial da Guerra Fria, quando as ideologias capitalista e socialista, representadas por EUA e URSS, estiveram em disputa por áreas de influência no mundo. As colônias latino-americanas eram vistas de longe com grande interesse econômico, e como um novo mercado para o excesso de mercadoria que o capitalismo já alcançava na América do Norte.

Após a Revolução Cubana (1961) que derrubou o ditador Fulgêncio Batista, os EUA fechou ainda mais a política de contenção do avanço comunista na América, estimulando os sucessivos golpes de estado dos anos seguintes. Além da demonização das Repúblicas Socialistas, as propagandas e conteúdos massivos da produção americana venderam uma necessidade de consumo ao povo latino, gerando uma nova demanda por produtos e indústria. Em quase todas as nações latino-americanas onde houve ditadura militar, grande parte da população apoiava os regimes autoritários por acreditar no avanço econômico do país. O que se vendia como futuro, era na verdade uma grande dívida externa. Internamente a dívida social das ditaduras é imensurável, e ainda há muito a ser debatido sobre a forma de recapitulação dessas memórias.

O primeiro país na América do Sul onde os militares tomaram o poder foi o Brasil, em 1964, e permaneceram no comando até 1985, totalizando 21 anos de abuso e uso indevido de autoridade. Em 1968 houve a promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5) que representou o fechamento completo do sistema político e a implantação da ditadura. O AI-5 restringiu drasticamente o direito a cidadania e a liberdade de expressão, além da ampliação da repressão policial-militar. E foi assim na Bolívia (1964), Argentina (1966), Peru (1968), Uruguai (1973), Chile (1973), entre outros.

Os governos militares adotaram a Doutrina de Segurança Nacional, ideologia na qual o aparelho de estado estava voltado para o combate daqueles que não se identificavam com os regimes e eram entendidos como “inimigos da nação” e associados ao “comunismo”. Para debater estes traumas históricos o Encontro Internacional Diálogos e Intervenções no Campo da Violência de Estados Ditatoriais, reuniu profissionais de diferentes áreas, como direito e psicologia, para que se possam construir um espaço de diálogo amplo e diversificado.

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Museu dos Direitos Humanos do Mercosul